Se há alguns anos atrás alguém me falasse que eu seria vegana, eu possivelmente daria risada. Hoje, no Dia Mundial Vegano, vim contar sobre minha caminhada até aqui 🙂

Nasci no interior de Minas Gerais, comendo feijão tropeiro no almoço e pamonha doce recheada com queijo pra sobremesa. Farofa de milho feita na banha e torresmo pra acompanhar. AH, e tinha coxinha de frango, pão de queijo e bolo de cenoura pro café tarde.

Pode parecer o fim do mundo, mas até que não era, comparado à alimentação que muitas pessoas tem hoje em dia. A maioria das coisas que consumíamos era local. O milho da pamonha era produzido na roça que ficava literalmente à (cerca de) 300 metros de casa, e eu não me recordo de um dia sequer que não houvesse legumes ou uma verdura na mesa – muitas vezes, da nossa própria hortinha. Não era cheio de conservante e industrializados, mas ainda assim, tinha um bocado de açúcar, gordura e refinados.

Desde pequena uma das minhas tias me levava pro centro espírita com ela. Foi lá que muitos questionamentos que rondavam a minha cabeça começaram a ganhar forma. Aprendi sobre empatia, não julgamento, karma e dharma, energias, e por aí vai… Foi lá, também, que comecei a participar de atividades voluntárias, como o sopão que o pessoal fazia pra moradores de rua. Eu nunca podia ir entregar, porque era menina e ainda muito jovem, mas eu ajudava a preparar e lembro de sonhar como dia que poderia acompanhar os meninos na entrega! Ainda me recordo de todos os pensamentos que me invadiram quando a primeira ficha sobre “comer carne” caiu: estou me alimentando de morte e todas as energias ruins que esse processo envolve estão passando por mim 🙁 Comecei a admirar o vegetarianismo mas, como todo mundo, pensava “nunca conseguiria”.

Vida que segue, entrei pra faculdade de arquitetura e passei no processo seletivo do intercâmbio. Fui morar na Itália! 🙂 Quem já viajou pra Europa sabe: a carne lá é cara e de má qualidade (pelo menos a de supermercado). Como boa estudante, eu preferia juntar minhas moedinhas pra viajar. Passei 8 meses sem comer carne vermelha (exceto kebab) e nem percebi. Quando voltei, pedi pra minha mãe preparar um belo churrasco e pão de queijo pra minha primeira refeição e ela atendeu meus pedidos <3 Quando coloquei o pedaço de carne na boca, cuspi quase que instantaneamente. Senti um gosto forte de sangue, não era nada daquilo que eu lembrava e queria! Aproveitei a oportunidade pra me declarar oficialmente LIBERTA da carne vermelha hahaha Foi então que comecei a pesquisar sobre o consumo de carne, saúde, energias, e caí de paraquedas no impacto ambiental. Não deu outra! Nunca mais fui a mesma!! Me agarrei naquilo, que fazia tanto sentido pra mim, era tão alinhado com as coisas que eu acreditava, e não soltei mais.

Porque me tornei vegana - Gabi Mahamud
Só pra descontrair hehehe 😛

O veganismo (como hábito alimentar) veio mais tarde. Aos pouquinhos fui parando de comer outras carnes e, quando me mudei pra Curitiba, acabei descobrindo minha intolerância à lactose. Nessa época eu já me alimentava super bem e me exercitava muito – já escrevi sobre isso aqui – lia incansavelmente sobre alimentação saudável e acabei descbrindo o veganismo assim, por necessidade mesmo. Quando me vi obrigada a cortar os lácteos – e, convenhamos, eu jamais voltaria a comer carne – tive que buscar saídas (e receitas haha) pra me virar com essas novas limitações. Quando descobri o que era veganismo, seu propósito, o que defendia, e o viés socioambiental que esse estilo de vida carregava, me apaixonei e decidi que começaria uma nova jornada nessa direção 🙂

TUDO NOVO DE NOVO! hahaha Tive que rever hábitos, aprender novas receitas e uma mova culinária de modo geral, passei alguns perrengues comendo fora de casa (ou melhor, não comendo, né? haha) e tive que aturar muita gente pentelha me pentelhando – quem nunca? hahaha A maior dificuldade em alguns momentos era contar com a honestidade das pessoas/marcas/estabelecimentos. Quando eu perguntava por um produto vegano, ninguém entendia que eu tinha intolerância à lactose e passaria mal se consumisse algo com leite, então por vezes me deram produtos com lácteos – talvez por descaso, talvez por falta de informação mesmo – e eu acabava ONDE? No troninho hahaha

Paralelamente, lidar com a família e amigos foi também desafiador. Mas aos pouquinhos, explicando carinhosa e amorosamente, eles vão entendendo 🙂 Hoje em dia uso a mesma tática com pessoas recém conhecidas. Se me questionam demais, eu falo que eu acredito muito nisso / me sinto bem melhor assim e não dou muita brecha pra mimimi 😛 Em algumas situações da vida precisamos nos posicionar com firmeza e, pra mim, essa é definitivamente uma delas!

Porque me tornei vegana - Gabi Mahamud
Minha cara quando perguntam sobre as proteínas hahaha

Agora é tudo um pouco mais fácil, as pessoas já sabem melhor o que é, ou estão mais abertas a saber. Os estabelecimentos estão começando a pensar em nos recepcionar bem (leia-se: com um prato bem maravigold hahaha), e o mercado finalmente percebeu que essa é uma escolha meio que sem volta. E digo isso porque não é uma escolha pautada na vaidade, ou na vontade, mas intimamente ligada à expansão de consciência que, uma vez expandida, não volta mais ao normal.

Depois do veganismo (que ainda estou longe de estar 100% alinhada, ainda faltam muitas melhorias), várias outras fichinhas foram caindo: a do cosmético, do lixo, do desperdício, e assim sigo meu caminho, sempre procurando por oportunidades de me melhorar, viver de acordo com o que eu acredito e construir o mundo que eu quero pro amanhã. Aprendi a ter empatia por mim, pelo outro, e ainda mais pelo meio ambiente. Quem diria que um cofrinho pra viagem traria tantas mudanças? 🙂

Se você já é vegana(o), conta pra mim como foi que você tomou essa decisão, eu adoro ouvir e sempre lembro das mais legais – peça pro Ricardo Laurino, presidente da SVB contar a dele pra você 🙂 E se você ainda não é, mas quer se tornar, minha dica é: busque uma motivação que seja forte pra você se agarrar, seja ambiental, seja por empatia, seja por saúde – existem mil motivos e certamente alguns deles serão mais relevantes pra você. Quando você tem uma grande razão (ou propósito 🙂 ) pra seguir firme na sua escolha, fica mais fácil! As vontades virão, e tudo bem se você tiver um deslize ou outro, só não vale ficar na zona de conforto. Te garanto: TROCAR de zona de conforto é LIBERTADOR 😀

Por você. Pelos animais. Pelo meio ambiente! <3 🙂

Eu sou a Gabi ? Sou arquiteta urbanista e metida a cozinheira! Desde que resolvi entrar no mundo do esporte, mudei minha alimentação e, consequentemente, meu olhar sobre o mundo e sobre o meu corpo. Hoje sou maratonista, me locomovo principalmente de bike, não consumo carne há três anos, intolerante à lactose, e vivo inventando moda na cozinha, onde aprendo muito todo dia ❤

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