O CÂNCER DA MINHA MÃE

Ainda lembro como se fosse o dia em que descobri que minha mãe estava com câncer: Era uma terça-feira como outra qualquer, deitei pra dormir e poucas horas depois recebi um telefonema esquisito da minha tia. Uns dias antes desse minha mãe, que mora em Minas Gerais – assim como toda minha família materna – tinha levado um tombo e acabou fraturando a coluna, desde então o médico já suspeitava de um tumor pois uma queda tão simples jamais quebraria a coluna daquele jeito. Ela passou por uma cirurgia e colocaram titânio ao longo de toda coluna. Aproveitaram a cirurgia para recolher material para um biópsia e, naquela terça feira, o resultado mais esperado tinha saído e minha mãe não teve coragem de me contar, foi então que minha tia, que não conseguia dormir, resolveu me ligar. Meu mundo caiu! Nunca chorei um choro tão dolorido. Parecia que alguém tinha arrancado meu coração com as mãos. Tudo que eu queria era acordar e perceber que era um pesadelo horrível. Mas não era 🙁

Alguns dias depois fui pra Minas com o intuito de ajudar minha mãe no que fosse preciso – o câncer dela começou na mama e se espalhou pelos ossos da coluna, pelve e perna, por isso os cuidados com os ossos também deveriam ser muito grandes pois ela poderia quebrar com bastante facilidade. Deixei a vida de lado e me propus a ir atrás de profissionais e conteúdo suficiente pra que a gente revertesse essa situação. Eu sou muito curiosa, leio muito sobre alimentação, estilo de vida, espiritualidade e energia, etc, mas nunca “precisei” me aprofundar no tema CÂNCER. Quando comecei a ir atrás de materiais que abordavam esse tema, fiquei simultaneamente aliviada e chocada. Aliviada por descobrir que eu já tinha bastante conhecimento que seria útil nessa fase e que estava no caminho certo, e chocada por perceber que o mundo está doente, que as pessoas não fazem ideia do risco que elas correm com os hábitos que tem, e mais: chocada com a quantidade de gente que convive com essa doença horrível, seja por já ter vivenciado em si, ou através de alguém querido. Foi então que tive a ideia de promover essa campanha e torná-la uma base e um porto seguro para que outras mulheres, família e amigos não precisem passar por nada que a gente tem passado desde aquela terça feira!

Durante 3 semanas tentei cozinhar tudo que eu sabia que minha mãe podia comer. Nesse início de tratamento, contei a ajuda de vários profissionais de várias áreas – da nutricionista Aline Quissak, da Karelin Cavallari, do Dr. Guilherme Rossi, e da psicóloga Yame Scalioni – para dar o suporte necessário que minha precisava. Também contei com a ajuda do meu amigo Tiago Nogueira que nos auxilou com tratamentos energéticos. Foi um fiasco! Primeiro porque minha família simplesmente não entendia sobre nutrientes, processos inflamatórios e alimentos acidificantes que poderiam fazer com que o corpo da minha mãe virasse o ambiente perfeito pro crescimento do câncer. E segundo porque a médica oncologista que a atendeu, apesar de muito querida, também não entendia muito sobre alimentação para o câncer e acabou instruindo-a de forma equivocada por inúmeras vezes e isso gerou muitos momentos de stress lá em casa. Como dizem: santo de casa não faz milagre, né? Depois de muito aborrecimento, entendi que aquele stress todo não estava sendo saudável nem pra ela, nem pra mim, então resolvi ir embora! 
Acho que esse é um erro que muitas pessoas cometem quando descobrem que alguém querido está passando por um fase difícil: tentar impor sua verdade! Eu sabia que detinha muitas das informações necessárias pra ajudar minha mãe e estava munida de ótimos profissionais para nos orientar, mas eu nunca tinha parado pra pensar que talvez o choque da doença, da cirurgia, de ter que para a faculdade, depender da família pra cuidar da casa e dos filhos dela, e todas as mudanças bruscas que ela já estava passando, estavam suficientemente pesadas pra ainda ter que lidar com um mudança radical na alimentação e estilo de vida.

Se algum dia você estiver na minha situação, seja apenas um abraço carinhoso e um colo! Dê todo o suporte emocional que a pessoa que você ama precisar, mas não tente impor nada! Quando você sentir que tem abertura, aí sim, vá auxiliando com informações e deixe que ela / ele decida o que fazer com elas. 

Depois que eu vim embora, minha família se virou pra dar conta de tudo, e foi interessante perceber que, por mais que a gente se ache capaz de salvar o mundo, ele continua andando com ou sem você. Minha mãe acabou quebrando também o fêmur e passando por mais uma cirurgia super invasiva, pegou infecção, entre outros percalços. Mas foi mais interessante ainda perceber que, assim que aquele susto inicial tinha passado, eles estavam prontos para ouvir o que eu e todos aqueles profissionais que estavam dispostos a ajudá-la e daí sim me começaram a me procurar e me dar abertura para ajudar. Nesse momento, a nutricionista funcional Juliana Trevilini, que foi quem cuidou de mim por um bom tempo, deu sequência nos cuidados dela, instruindo qual o melhor tipo de alimentação em cada fase do tratamento. Desde que a Ju assumiu esse papel, foi uma surpresa atrás da outra: descobrir a importância da vitamina D, alimentos que poderiam minimizar os desconfortos da quimioterapia, truques para diminuir o enjoo, controle de leucócitos, entre tantas outras coisas. Ao mesmo tempo, percepções que eu ia tendo como observadora: a fé começou a fazer parte do dia-a-dia da minha família; cuidados com a espiritualidade e energia começaram a ficar cada vez mais frequentes; o conforto de poder contar com os amigos para se distrair nos momentos difíceis, o alivio ao poder contar com o apoio de uma psicóloga para lidar com tantas mudanças e com o impacto disso tudo nas crianças – e não digo só por parte da minha mãe, mas de todos nós pois ela nos instruía sobre como lidar com a instabilidade da dela também -; e todo impacto que o câncer da minha mãe gerou tanto na minha família, como no entorno: meu namorado e minha sogra pararam de comer carne, a médica da minha mãe começou a se informar mais sobre alimentação, as crianças começaram a aceitar legumes e verduras (pelo menos quando eu estava em casa haha), eu tenho feito acompanhamento dos nódulos que tenho no seio e para parar com a pílula anticoncepcional e procurado saúde em vários âmbitos da minha vida, e por aí vai…

Hoje minha mãe já acabou o tratamento com a quimioterapia e espera para refazer o exame que avalia o estado em que o câncer se encontra (rezem pra que ele tenha regredido), e tudo que posso dizer pra vocês é que esse percurso é uma montanha russa com loop triplo e 32 quedas. Cada dia é uma aventura e fico imaginando que, se pra mim, aqui longe, já foi difícil assim, pra ela deve ter sido mil vezes mais intenso, e eu me emociono cada vez eu penso nisso, lembro dela, ou imagino quantas pessoas podem estar passando ou ter passado por isso ao redor do mundo.

Segundo estatísticas, 1 em cada 2 pessoas podem desenvolver câncer. Aos 15 anos de idade, todos nós passamos a portar a célula precursora do câncer, o que vai definir se ela vai se desenvolver ou não, é o estilo de vida e postura emocional, que engloba milhões de fatores!

Já pensou nisso? Entre eu e você, uma de nós pode ter 🙁 Isso é muito triste!! 
O câncer de mama é o tipo de câncer mais comum entre as mulheres. Foram 15.000 mortes em 2016 e o Brasil terá 576 mil novos casos de câncer por ano, de acordo com o INCA. É a maior causa de morte de mulheres do mundo.
Sabendo disso, eu não poderia ficar imparcial! Já falei pra vocês que eu quero muito que o Flor de Sal seja uma amiga que vocês podem contar em todos os momentos e, como amiga, eu, junto com uma equipe sensacional, estamos aqui pra alertá-las sobre tudo que pode colocá-las na zona de risco dessa doença tão sofrida (30% dos casos desse tipo de doença podem ser evitados com bons hábitos (INCA)) e eu espero muito que essas informações cheguem a muuuuuuuitas pessoas pra que ninguém precise vivenciar momentos tão dolorosos!

FLORES CONTRA O CÂNCER

Por isso, me empenhei em preparar uma campanha preventiva de verdade, com muito carinho e cheia de amor pra vocês! Durante o mês de outubro publicaremos aqui no blog e na Revista Make Mag posts informativos e receitas relacionadas à prevenção do câncer e elas serão divididas por semanas:

  • Na primeira semana falaremos sobre energia e espiritualidade, atividade física, a importância do sono e estilo de vida. Nesses primeiros dias também distribuiremos flores, em parceria com a Esal Flores, com tags de conscientização em restaurantes de Curitiba (Quintana Café, Prestinaria, Verd & Co e Comidália) e esperamos que você entregue essa flor pra outra mulher que você queira bem pra aumentar nossa corrente de amor ♥
  • Na segunda semana, os posts serão todos sobre alimentação preventiva e alimentação de risco, super importante de saber! Nessa semana faremos algumas lives no instagram com profissionais para que vocês tirem algumas dúvidas, então não deixem de acompanhar o insta também (clique aqui) 🙂
  • Na terceira semana, abordaremos assuntos relacionados ao período de tratamento! desde a parte psicológica, até posicionamento da família e, claro alimentação! Também vai estar rolando uma sobremesa desenvolvida em parceria com a FunFit Faz Bem em prol da campanha e vai acontecer um evento muito bacana no dia 18/10 aqui em Curitiba, com palestras acerca dos assuntos abordados aqui e um cafezinho especial pra vocês. Fiquem de olho pois os palestrantes são muito especiais, a comidinha será deliciosa e as vagas serão limitadas.
  • A quarta semana será focada no pós tratamento. No dia 25/10 também darei uma palestra no evento “Outubro Rosa” da PUCPR com foco em mulheres inovadoras e empreendedoras e revolução 4.0. Além disso, faremos um fechamento surpresa muuuito legal! 

Pra que isso tudo acontecesse, é claro que eu não poderia deixar de contar com o apoio e parceria de pessoas e empresas muito especiais, né? Primeiro à minha mãezinha linda, que me deu a maior força pra levar essa campanha adiante e me inspirou tanto com toda força que ela teve pra batalhar nos piores momentos! Te amo mais que tudo, mãe!! À Laís Graf e à Luisa Paiva (essas lindas da foto abaixo), que agarraram a ideia da campanha e lutaram pra que ela acontecesse tanto quanto eu. O melhor Dream Team dos últimos tempos ♥ E claro, à Esal Flores, PUC – PR, FunFit Faz Bem, Quintana Gastronomia, Prestinaria, Comidália, Verd & Co, Associação Brasileira de Portadores de Câncer (AMUCC), e à todos os profissionais e influenciadores envolvidos que listarei no decorrer dos posts! OBRIGADA por acreditarem num mundo melhor! Juntos a gente é mais forte ♥ Vamos que vamos!

Eu sou a Gabi ? Sou arquiteta urbanista e metida a cozinheira! Desde que resolvi entrar no mundo do esporte, mudei minha alimentação e, consequentemente, meu olhar sobre o mundo e sobre o meu corpo. Hoje sou maratonista, me locomovo principalmente de bike, não consumo carne há três anos, intolerante à lactose, e vivo inventando moda na cozinha, onde aprendo muito todo dia ❤

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