Sempre que eu posto dicas sobre como fazer leites vegetais no insta, é um auê! ♥ Todo mundo adora e surgem sempre várias dúvidas. Acho lindo quando vocês perguntam porque assim fica mais fácil gerar conteúdo de qualidade pra vocês 🙂 Então, obrigada por isso!

Trabalhando diretamente com pessoas e com restaurantes o que eu notei é que muitas pessoas deixam de fazer seus leites vegetais por preguiça ou porque acham que pode ficar ruim. Por isso, nesse post vou colocar as melhores dicas que eu consegui listar e algumas receitinhas infalíveis de leites que você pode usar no seu dia-a-dia e tornar esse hábito mais fácil e frequente  🙂 Parecem medidas simples mas fazem toda a diferença! 

LEITE DE OLEAGINOSAS (castanha de caju, amêndoa, amendoim, avelã, castanha do pará, etc)

Pra começar, o meu preferido: leite de oleaginosas em geral! Gosto muito dos sabores, dos nutrientes, e da funcionalidade deles! Antes eu tinha preguiça de fazer porque o demolho é necessário, e longo, mas depois que peguei o jeito, nunca mais fiquei sem 🙂 Então vamos às dicas:

  • Pra encurtar o tempo do demolho, às vezes eu quebro as oleaginosas em pedacinhos menores, assim elas hidratam mais rápido (elas estão bem hidratadas quando você apertar e sentir que estão molhinhas. Lembre-se sempre de descartar a água de demolho.
  • Como a durabilidade do leite vegetal caseiro não é muito grande, depois de hidratadas, separo as oleaginosas em porções menores e congelo. Assim posso fazer leite fresquinho sempre que quiser ♥ Uso cerca de 10 castanhas de caju, por exemplo, para cada copo de leite, mas essa quantidade é bem pessoal e depende do seu gosto. Caso você tenha congelado porções maiores e agora precise fazer pouco leite, não tem problema, elas se desgrudam facilmente em contato com a água 🙂
  • Ao bater as oleaginosas, use água bem quente e adicione 1/3 da água primeiro, batendo até virar uma pastinha, só depois adicione o restante da água e termine de bater. Isso vai fazer com que você tenha um leite mais homogêneo e com que ele não se separe (sólidos/liquido) quando na geladeira. A dica da água quente é fundamentada na química: o calor é usado para mudar o estado das moléculas e diminuir sua viscosidade, fazendo com que a gordura “derreta” e passe quase por um processo de emulsificação misturando-se com a água.
  • O leite de castanha de caju, quando bem feito, não precisa ser coado, assim como o de inhame e de macadâmia, então lembre-se sempre de bater com água quente por uns 2 minutos pra ter certeza que as partículas foram bem quebradinhas 🙂
LEITE DE AMENDOIM
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Ingredientes
  1. 1 xícara de amendoim torrado sem casca e sem sal
  2. 3 a 4 xícaras de água limpa
Instruções
  1. Em um recipiente, coloque os amendoins e cubra-os com água. Cubra com um tecido e deixe de molho por cerca de 8 horas em temperatura ambiente.
  2. Escorra a água de demolho, enxágue bem os grãos e transfira-os para uma panela pequena ou leiteira. Cubra com água e leve ao fogo até levantar fervura. Desligue o fogo e deixe descansar por mais ou menos cinco minutinhos.
  3. Enquanto isso, ferva as 3-4 xícaras de água limpa em outra leiteira. Apague o fogo assim que começar a fazer bolhinhas de fervura.
  4. Descarte a água e despeje os amendoins e 1 xícara da água quente no liquidificador. Bata até obter uma pastinha.
  5. Aos poucos, com o liquidificador ainda ligado, vá acrescentando o restante da água até chegar no sabor e textura desejados.
  6. Com um pano de prato limpo e fino, ou com um coador de voal, coe o leite. Pronto 🙂
Observações
  1. Dura cerca de 5 dias se bem conservado na geladeira.
  2. Esse leite produz bastante espuminha, se você gosta, experimente 🙂
  3. Ele pode ser feito de duas formas, cozinhando ou não os amendoins. Na primeira, ele fica com sabor mais suave, já na segunda, fica com gosto mais fortinho. E também pode ser torrado -
  4. o leite vai ficar com sabor mais encorpado - ou cru - com sabor mais suave.
Flor de Sal http://flordesal.blog.br/

LEITE DE COCO

Amo de paixão! Não tem nada a ver com o que a gente compra no supermercado – que tem mais gordura e é bom pra dar consistência em algumas receitas, mas também tem espessantes e conservantes. Dá pra usar em tudo e o resíduo é um coquinho fresco ralado super útil nas mais diversas receitas – nesse muffin, nesse bolo, ou nessa farofa, por exemplo 🙂 

  • Escolher um bom é fácil: quanto mais clarinhas aquelas “bolinhas” que eles tem, melhor! Verifique se elas não estão mofadas ou muito escuras. 
  • Pra abrir e retirar a polpa com facilidade: uma dessas três “bolinhas” é bem mole, você vai conseguir furar com uma faca pontuda – ou abridor de vinho – mais facilmente que as outras. Feito isso, escorra a água do coco em um copo e reserve. Envolva o coco em um pano de prato e bata com um martelo até que ele quebre, ou – da minha forma ogra de fazer – jogue no chão com bastante força. Aqui você pode tentar retirar a polpa com a ajuda de uma faca ou colher, mas colocando o coco no forno por uns 20 minutinhos em temperatura alta, ela vai se desgrudar da casca e vai ficar mais fácil de retirar 😉
  • Você também pode congelar as lascas de coco porcionadas pra facilitar o processo, caso não use com tanta frequência – assim você não corre o risco de o coco estragar e evita o desperdício. 
  • Ao bater o coco, use água bem quente e adicione 1/3 da água primeiro, batendo até virar uma massinha, só depois adicione o restante da água e termine de bater. Isso vai fazer com que você tenha um leite mais homogêneo e com que ele não se separe (sólidos/liquido) quando na geladeira. A dica da água quente é fundamentada na química: o calor é usado para mudar o estado das moléculas e diminuir sua viscosidade, fazendo com que a gordura “derreta” e passe quase por um processo de emulsificação misturando-se com a água.
LEITE DE COCO
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Ingredientes
  1. 1 coco seco
  2. 3 a 4 xícaras de água fervente
Instruções
  1. Retire a polpa do coco como indicado acima.
  2. Bata a polpa e 1 xícara da água fervente no liquidificador por cerca de 1 minuto, até o coco ficar bem fino. Aos poucos adicione o restante da água com o liquidificador ainda ligado.
  3. Coe o leite e pronto 🙂
Flor de Sal http://flordesal.blog.br/

LEITE DE TUBÉRCULOS

 Tubérculos são a parte grossa de um caule que cresce debaixo da terra. Eles se comportam como um órgão de armazenamento de energia e por isso são, geralmente, ricos em carboidrato – batata, batata-doce, inhame, mandioca… (carboidrato = energia). Eu geralmente uso esses leites em preparos, como strogonoff, risoto, bolos, etc, só uso em bebidas em alguns casos específicos, mas é raro. Eles são bem bons quando você precisa de uma certa consistência porque são ricos em amido e, quando aquecidos, acabam engrossando.

  • Eu já vi muita discordância de informações no caso do leite de inhame, por exemplo. Tem gente que faz cru, tem quem diga que é melhor cozinhar. E como essa foi uma dúvida que rolou lá no post do insta, resolvi falar com a nutricionista funcional Juliana Trevilini pra poder falar com mais certeza pra vocês e o que ela disse foi: é melhor cozinhar antes de fazer o leite pra remover possíveis antinutrientes que, além de impedir a absorção de nutrientes pelo organismo, algumas vezes podem causar desconfortos como alergia, ou alguma sensibilidade.
  • Esses leites geralmente não precisam ser coados. O de inhame, que é o que mais uso, fica bem viscoso e tem o sabor neutro, é ótimo pra usar em receitas em geral. Aqui no blog tem um iogurte delicioso feito com ele, dá uma olhada aqui
LEITE DE INHAME
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Ingredientes
  1. 250gr (ou 3 unidades) de inhame
  2. 3 xícaras de agua limpa
Instruções
  1. Descasque os inhames e corte em pedaços menores. Transfira para um panela com água e cozinhe até ficarem macios.
  2. Escorra a água e coloque os inhames no liquidificador. Acrescente a água filtrada e as tâmaras (opcional). Bata bem até ficar homogêneo. 🙂
Flor de Sal http://flordesal.blog.br/

LEITE DE CEREAIS (arroz, aveia, quinoa…)

Apesar de usá-los em algumas – poucas – preparações, eles não são meus preferidos por diversos motivos! Além de não gostar do sabor na maioria das vezes, já expliquei no post do chocolate quente que “É claro que ele pode ser uma boa opção quando você não tem outra alternativa, mas se você puder optar, escolha pelo de oleaginosas, ou pelo menos por um misto (oleaginosa/grão + amido). Isso porque o leite vegetal derivado de cereais são compostos basicamente por carboidratos que perdem todas as fibras quando fazemos o leite e, ao serem ingeridos, vão se transformar em açúcar no organismo. Quando você adiciona uma fonte de gordura a esse carboidrato, seu índice glicêmico vai diminuir, evitando picos de insulina 🙂” então vale a pena saber fazer, mas usem com parcimônia 😉

  • Esses leites são facilmente feitos a partir dos grãos e o seu tempo de demolho é menor. Algumas vezes é necessário cozinhar um pouco o grão antes de fazer, como no caso do leite de arroz e de quinoa
  • Se você não quiser usar os grãos pra fazer o leite, pode usar os flocos dos mesmos deixando de molho por uns 20 minutos antes de bater no liquidificador. É importante sempre descartar a água de demolho, em todos os casos.
  • O leite feito a partir da aveia é um dos mais baratos e fáceis de ser fazer. A aveia contém um carboidrato chamado beta-glucano que faz com que os preparos fiquem mais cremosos (como os molhos) e fofinhos (bolos) porque retém água, por isso ele tende a ser mais grossinho que os outros. Portanto, se você precisar de um espessante natural para molhos e caldos, aposte nele. 
LEITE DE AVEIA
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Ingredientes
  1. 1 xícara de aveia em flocos
  2. 3 xícaras de água morna
Instruções
  1. Adicione a aveia e a água morna no liquidificador. Deixe descansar por cerca de cinco minutos.
  2. Triture bem até ficar homogêneo.
  3. Com um pano de prato limpo e fino, ou com um coador voal, coe o leite.
Flor de Sal http://flordesal.blog.br/

OUTROS LEITES:

Existem outros leites vegetais como, por exemplo, de gergelim e de linhaça, que são interessantes, mas eu nunca testei, então não sei falar muito sobre eles pra vocês. Vou testar nas próximas semanas e atualizo o post com informações 🙂 A única informação que posso passar, nesse caso, é que o leite de gergelim é muito rico em cálcio, por isso, algumas vezes adiciono uma colher de sopa de gergelim aos meus outros leites 🙂

DICAS GERAIS:

  • Você também pode congelar o leite em pequenas porções pra ir usando aos poucos, mas eu acho que muda o sabor e, muitas vezes, a textura.
  • Para coar, use um tecido ou uma peneira fina, assim você garante que ele não vá ficar com pedacinhos residuais 🙂
  • Guarde/congele o resíduo pra usar depois! Se você colocá-lo numa forma e levá-lo ao forno, com temperatura baixa (tente deixar a porta entreaberta), ele vai secar e virar uma farinha super rica, que você pode usar pra fazer a #panquecaflordesal, a #farofaflordesal#boloflordesal ou outras receitinhas!
  • Pra armazenar, use um potinho de vidro e, antes de colocar o leite, deixe uns 5 minutinhos no forno quente pra esterilizar bem. A higiene do recipiente vai ajudar seu leite a durar uns 2 dias a mais.
  • Outra coisa que aconselho ficar atenta: procure não ferver o leite derivado de oleaginosas. Esse leite possui um alto teor de gorduras que, ao serem aquecidas (até ferver) podem acabar saturando e se tornando gorduras não tão legais de consumir. Por isso, quando for fazer uma receita com leite vegetal de castanhas, coco e afins, cuidado pra não deixar ferver – acrescente-o ao final da receita ou mantenha a temperatura baixa.
  • O congelamento acaba fazendo com que alguns nutrientes se percam, mas, na minha opinião, acho melhor assim do que usar os leites vegetais industrializados!

ATENÇÃO! Vale ressaltar que, nutricionalmente, os leites de vegetais não são substitutos do leite materno ou do animal.  A grande maioria deles não é fonte de cálcio, exceto o de gergelim! Crianças precisam de uma quantidade específica de aminoácidos e micronutrientes que dão um respaldo lipídico, proteico, de aminoácidos e carboidratos necessários pro desenvolvimento do bebê. Por isso, nesses casos, vale a pena contar com uma analise nutricional individualizada! 🙂

Eu sou a Gabi ? Sou arquiteta urbanista e metida a cozinheira! Desde que resolvi entrar no mundo do esporte, mudei minha alimentação e, consequentemente, meu olhar sobre o mundo e sobre o meu corpo. Hoje sou maratonista, me locomovo principalmente de bike, não consumo carne há três anos, intolerante à lactose, e vivo inventando moda na cozinha, onde aprendo muito todo dia ❤

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